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Pais reais, não perfeitos: uma parentalidade possível
•3 min de leitura

Pais reais, não perfeitos: uma parentalidade possível

Por Lígia Daher, psicóloga clínica · CRP 04/82172

Explorando a parentalidade para além do idealizado, um olhar psicanalítico sobre as demandas reais e a busca por um bem-estar emocional na maternidade.

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A parentalidade, em sua essência, nos convoca a um percurso que muitas vezes se distancia das imagens polidas e dos discursos idealizados. Entrar nesse universo é como adentrar um território onde o ideal e o possível se encontram e se desencontram a todo instante. Não raro, nos deparamos com expectativas que ecoam em nosso íntimo, construídas a partir de uma cultura que eleva a parentalidade a um patamar quase inatingível, exigindo perfeição e renúncia absolutas.

Contudo, a psicanálise nos oferece um contraponto crucial a essa narrativa unívoca. Ela nos lembra que o humano é permeado pela falta, pelo desejo e pela ambivalência. Ser pai ou mãe, nesse sentido, é também lidar com as próprias imperfeições, com os sentimentos contraditórios que emergem, e com a constatação de que não há um manual definitivo para a criação. O "suficientemente bom", conceito tão caro à teoria psicanalítica, ressoa aqui com uma profundidade libertadora. Reconhecer que não é preciso ser perfeito para amar e nutrir significa abrir espaço para a autenticidade e para a construção de laços reais, que não se sustentam na fantasia de uma perfeição inalcançável, mas na verdade de uma relação viva e dinâmica.

Acolhendo a Realidade da Parentalidade

Se a busca por uma parentalidade ideal tem gerado angústia ou dúvidas, saiba que existe um espaço para você desvendar esses sentimentos. A psicanálise oferece um olhar acolhedor para as verdades da sua jornada parental.

Essa busca incessante por um modelo parental idealizado pode, paradoxalmente, gerar uma profunda angústia, um mal-estar que se manifesta na culpa por não conseguir corresponder a um padrão imposto. A ansiedade de falhar, de não ser "bom o suficiente", pode turvar a experiência genuína de cuidado e afeto. É nesse ponto que a clínica psicanalítica se faz essencial, oferecendo um espaço de escuta onde essas pressões internas e externas podem ser desveladas. Permite-se, então, que a pessoa que parentaliza possa se despir dessas armaduras idealizadas e encontrar sua própria voz, seu próprio modo de ser, sem as amarras de um roteiro preestabelecido.

O inconsciente, nesse processo, revela os fios que tecem nossas escolhas e reações, muitos deles enraizados em nossas próprias vivências infantis. A forma como fomos cuidados, as lacunas percebidas em nossa própria parentalidade, tudo isso se atualiza e se projeta nas relações com os filhos. Não se trata de uma repetição mecânica, mas de uma ressonância que pede por elaboração. Compreender esses movimentos subterrâneos é um passo fundamental para desenvolver uma parentalidade mais consciente, menos reativa e mais responsiva às necessidades reais, tanto da criança quanto da pessoa que parentaliza.

A vivência da parentalidade, ao ser destituída de seu pedestal de perfeição, pode se tornar um terreno fértil para transformações no sujeito. É um convite constante à reflexão sobre os próprios limites, desejos e frustrações. É, acima de tudo, uma oportunidade de se reconectar com a própria humanidade, com as falhas e os acertos que constituem a existência. A relação com os filhos, nessa perspectiva, emerge não como um fardo de ideais a serem cumpridos, mas como um caminho de troca, aprendizado e afeto, onde cada um, à sua maneira, contribui para a construção de um vínculo autêntico.

Explorar as verdades da parentalidade é um compromisso com a saúde mental da família, buscando um equilíbrio que honra a individualidade de cada ser envolvido, permitindo que a escuta atenta e o acolhimento se tornem pilares fundamentais desse percurso.

Assim, ao desinvestir do ideal impossível, abrimos caminho para a parentalidade possível, aquela que se molda nas trocas diárias, nos desafios superados e, principalmente, no afeto genuíno que floresce em meio à imperfeição. É um convite para vivenciar a maternidade ou paternidade com mais leveza e verdade, reconhecendo que a beleza está justamente naquilo que é humano, complexo e, por vezes, um tanto caótico.

Encontre Seu Caminho na Parentalidade

A jornada da parentalidade é única para cada um. Se você busca um espaço de escuta e reflexão para navegar pelos desafios e encontrar seu próprio modo de ser pai ou mãe, estou aqui para acolhê-lo(a).

Com um olhar atento ao mundo interior, desvendando os caminhos da parentalidade possível. Lígia Daher (CRP 04/82172).

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